Escola na Cidade de Deus ganha quadra reformada por Comitê Olímpico da Itália

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A apenas dez quilômetros do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, a Escola municipal Alphonsus de Guimarães, na Cidade de Deus, recebeu, nesta quarta-feira, o que realmente pode ser chamado de legado da Olimpíada para 80 crianças da comunidade. E a ajuda não veio do poder público, mas de fora. Por meio de uma parceria entre o Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni), empresas e organizações sem fins lucrativos, a unidade escolar ganhou uma quadra esportiva novinha em folha.

O local, onde as crianças terão aulas de futebol, foi reformado entre abril e julho deste ano graças à união de vários programas sociais, como os da ActionAid, do Grupo Ferrero e do Centro de Estudos e Ações Culturais e de Cidadania (Ceacc). José Carlos de Paula Lopes, o Zezé, coordenador do Ceacc, conta que a parceria possibilitou a troca de todo o alambrado, a pintura do piso e a colocação de marcações, para futebol e basquete.

— Por ser morador daqui e ter sido aluno da escola, eu tenho muito orgulho daqui. Na minha época, não havia essa quadra, era barro. Essa parceria é uma grande satisfação para a gente. Você vê pela alegria das crianças. Aqui a gente não passa visão de jogador de futebol, mas de cidadania. Nós sabemos que o poder público vem falhando há muitos anos e agora não é diferente, não está realizando obras nas praças ou nas escolas da Cidade de Deus. Só quando algum político está interessando em sua campanha, a cada quatro anos, é que ele vem oferecendo benefícios. Mas o que a comunidade precisa é de continuidade.

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E por falar em continuidade, durante um ano a manutenção da quadra ficará a cargo do Coni. Além disso, por meio do projeto social Kinder+Sport, do Grupo Ferrero, o Ceacc passará a ter aulas de karatê e de capoeira. Marco Ponte, coordenador-executivo da ActionAind na Itália, conta que o objetivo do projeto é de fato deixar um legado da Itália para o Rio, antecipando, inclusive, a mensagem de responsabilidade social do país europeu, que vai se candidatar para sediar os Jogos de 2024.

— Isso tudo é um símbolo do esforço que nós estamos fazendo para ir além, renovando o ensino de futebol nas escolas. Nós estamos tentando deixar o entendimento na Itália de que, se você quer ter os Jogos em 2024, todo o processo, sete anos antes, precisa ser o mais inclusivo possível. E a participação no ensino do futebol, na organização do transporte, nesse tipo de discussão, precisa ser antes da Olimpíada.

Segundo Ponte, a partir do Rio de Janeiro, o Coni quer levar toda para Roma a discussão sobre como organizar Jogos Olímpicos que realmente dêem atenção às questões sociais.

— Porque nós temos pobreza e exclusão também na Itália, particularmente nas partes mais distantes de Roma, onde nós temos muitos imigrantes, muitas pessoas com necessidades. A Olimpíada é uma oportunidade. Se você não a usa, torna-se algo apenas para poucas pessoas.

Embaixadora do Coni, a ex-velejadora Alessandra Sensini, de 46 anos, participou da inauguração e destacou a importância do projeto para a vida da garotada:

— O esporte é importante para unir e te ajuda a fazer parte de um time, dando possibilidades para extravasar a energia que você tem dentro de você. É importante para as crianças saberem que elas têm um lugar aonde elas podem ir e praticar um esporte.

A ex-atleta acredita que Roma tem grandes chances de vencer a disputa para sediar os Jogos daqui a oito anos.

— Estamos trabalhando duro para isso. Será uma grande oportunidade para a Itália e será ótimo para os atletas italianos terem uma Olimpíada em casa.

Uma das 80 crianças que vão aproveitar o espaço, Giovanni Vivano, de 6 anos, era só alegria na inauguração:

— Eu gosto muito de jogar futebol e um dia quero ser um jogador igual ao Neymar.

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